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Metodologia

Diversas metodologias vêm sendo empregadas nas diferentes etapas em que a pesquisa matriz, desenvolvida no âmbito do projeto “Arquitetura, Ontologia e Magia”, veio a descrever uma nova hipótese interpretativa do quadro Mona Lisa, vinculando-o ao desenho de cidades e outras imagens. Nesses estudos, são empregados métodos da arqueologia urbana à análise iconológica / iconográfica, bem como revisões bibliográficas de fontes históricas e até mesmo ensaios de exegese bíblica. Para o presente plano de ação, destinado a um Estágio de Pós-doutorado, além de uma nova sistematização de todos os procedimentos até o momento empregados, propõe-se, mais particularmente, uma análise dos materiais com base no referencial teórico desenvolvido pelo Laboratório de Poéticas Fronteiriças, da UFMG/UEMG, ao longo dos anos.

Além disso, um novo indício, de que o Plano Piloto para a cidade de Minas (atual Belo Horizonte), desenvolvido por Aarão Reis em 1895, também poderia apresentar o mesmo padrão encontrado em Erechim e Paris (e ao fundo de Mona Lisa), será analisado durante o período. A hipótese não é descabida, pois, para além dos indícios já identificados em documentos online, Aarão e Gonçalves (esse último, o engenheiro projetista de Erechim), tiveram trajetórias muito próximas. Particularmente no caso de Carlos Torres Gonçalves, parte de sua trajetória eventualmente ainda poderia ser rastreada em Ouro Preto, cidade onde ele teria estudado Engenharia de Minas, antes de se mudar para o Rio de Janeiro, em 1895, onde veio a concluir seus estudos, na mesma Escola Politécnica onde estudou Aarão Reis.

À medida que a investigação histórica prossegue, aprofunda-se a abordagem interpretativa de seus resultados, com destaque para a ampliação do quadro conceitual de análise. Basicamente, o material será apreciado pelo referencial do campo interdisciplinar ciência, arte e filosofia, ao qual o LabFront se dedica com reconhecido destaque e pioneirismo nacional. Essa abordagem permitirá inserir a discussão sobre os resultados da pesquisa num campo interdisciplinar expandido, onde, à parte das necessárias validações e refutações das evidências apresentadas, a indeterminação do esfumato davinciano, irremediavelmente craquelado pelo tempo, evoca sentidos prenhes de entendimento. Portador de uma “realidade virtual aumentada”, o objeto de estudo teria ainda profundas implicações com os temas emergentes da ciência-tecnologia, igualmente trabalhados no LabFront.